As sanções da ONU ao Irã

junho 11, 2010

Eu realmente acredito que os iranianos procuram obter armamento nuclear.

Afinal, num governo ditatorial, uma teocracia em que a visão religiosa se sobrepõe aos conceitos de direitos individuais, não é difícil acreditar que o Irã procure adquirir armas nucleares.

Em primeiro lugar, o grupo religioso que comanda o país é radical e vê Israel como um estado inimigo.

Em segundo lugar, o país vizinho, Iraque, foi invadido ilegalmente  pelos EUA com o pretexto de que Sadan Hussein tinha armas de destruição em massa, químicas e nucleares.

A comunidade internacional realmente tem que temer mais um país com armas nucleares na região (Israel já as possui).

Mas, o que leva a esse tipo de situação, radicais religiosos no poder, conflitos religiosos que nunca se encerram?

Podemos citar como motivos, a invasão ilegal ao Iraque (não importa se Sadan era um ditador, os EUA não tinham o direito de invadir outro país).

Citamos também, as agressões que o Estado de Israel faz contra o Líbano (lembremos do massacre contra o prédio da ONU e o uso de bombas de fragmentação contra áreas civis do território palestino).

Veja, não de discute o direito de Israel se proteger, mas uma defesa legítima pressupõe o uso de força proporcional e isso não ocorreu no Líbano.

Agora, por que os EUA invadiram o Iraque? Por qual motivo bloqueiam com seu poder de veto qualquer possibilidade de sanções contra Israel? Israel,  aliás, já possui armas nucleares, mas não recebe sanção nenhuma das Nações Unidas.

Por que o acordo forjado pelo Brasil e a Turquia foi visto como somente uma tentativa de enganação por parte do Irã e não uma tentativa de diálogo?

A resposta é… Muita gente ganha dinheiro com os conflitos e com a guerra.

O complexo militar-industrial americano vende mais armas, depois patrocina as campanhas dos políticos,  estes apoiam e até cobram políticas externas inflexíveis, as quais, deixam a possibilidade de diálogo de lado, em favor do uso de sanções ou então de conflitos, que  por sua vez, aumentam  a hostilidade contra os EUA e Israel e favorecem  a criação de governos radicais (em detrimento de políticos moderados locais).

Esses governos radicais tornam-se desculpa para a compra de mais armas, que geram mais poder para a indústria militar, que patrocinam mais políticos… etc. Um círculo vicioso que nos levou a situação de hoje.

Dessa maneira, é provável que o Irã esteja procurando ter armas atômicas.

Mas, o que levou a isto na verdade, foi a política interna norte-americana. Não querem diálogo, querem vender armas.

Imagine se as pessoas começarem a resolver seus problemas com negociações? Não se precisaria  mais da indústria de armamentos poderosa que os EUA tem.

Posturas como a do Brasil e Turquia,  são altamente danosas para a indústria de armamento americanas.

A foto abaixo é de um complexo nuclear em Qom ao norte do Irã.

Nesse complexo, executa-se o enriquecimento de urânio ao teor de 20% (para produzir uma bomba necessita-se de enriquecimento de no mínimo 90%)

É bem provável que procurem produzir armas atômicas e isso é um grande negócio para indústria militar dos EUA.

Taí o motivo de não se tentar o diálogo com o Irã.

Instalação iraniana em Qom

Instalação iraniana em Qom, norte do Irã.


Imprensa – o que é conteúdo de qualidade?

junho 3, 2010

Hoje (03/06/10) vi uma matéria na net em que Steve Jobs advoga a cobrança pelo acesso ao conteúdo dos jornais.

“- Não quero que nos tornemos um país de blogueiros. Acho que precisamos de mais (conteúdo) editorial que nunca. O que temos de encontrar é uma maneira de fazer as pessoas pagarem por esse conteúdo obtido a duras penas.  “Coloquem preços agressivos e busquem volume.” disse ele.

Mais adiante  a matéria do “O Globo” cita Rupert Murdoch que defende o pagamento pelo conteúdo editorial de qualidade, Murdoch  é dono da  News Corp., dono do, entre outros, “Wall Street Journal”, que já adota a cobrança.

Mas o que é conteúdo de qualidade?

Descrição dos fatos ocorridos no mundo? Isso não se obtém a duras penas como disse Jobs, afinal, descrição dos fatos é algo simples e barato, algo que qualquer propaganda encartada no site de noticias pode bancar, com lucros.

Conteúdo de qualidade?  Análises políticas dos jornalistas especializados? Ora, sabemos que os jornais, todos, tanto nos EUA, como no Brasil e na verdade em qualquer lugar, são partidários, defendem posições políticas, sejam de esquerda, direita ou mais liberais. Então na verdade são opiniões jornalísticas políticas especializadas.

Informações econômicas de qualidade?  Em Economia a teoria correta não existe, as opiniões nessa área também são muitas.

Informações científicas de qualidade? Lazer? Programação do cinema?

Parece que a Internet é um mau negócio para os jornais, afinal, se eu quiser uma opinião sobre um fato, existem milhares na net, muitas e muitas melhores que as dos grandes jornais.

A internet e os blogs trouxeram uma concorrência nova para a imprensa.

A informação e a opinião não são mais de fornecimento  exclusivos dos jornais. Assim, estes buscam meios de manter seus status anterior.

Fazendo isso mantém também seu poder político, poder de influenciar a sociedade de acordo com os interesses dos proprietários dos jornais e de seus patrocinadores.

É disso que se trata essa discussão, o poder político que a imprensa detém ao noticiar os fatos e circunstâncias da maneira que desejam e melhor interessam.

Esse poder político se enfraquece, mais e mais pessoas leêm blogs, sites alternativos, TVs alternativas, opiniões alternativas.

E isso é bom para a sociedade, não necessariamente para os jornais.


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