No post anterior, eu observei que “Nesse sentido, falta realmente uma governança internacional, que possibilite a todos os países viverem sobre as mesmas normas”
Nos jornais de hoje, após o anúncio das novas tentativas de sanções contra o Irã, o chanceler Celso Amorim declarou que:
“Não estamos defendendo o Irã, não temos relações profundas [com eles]. Nós defendemos a justiça internacional, a paz internacional, a norma internacional e decisões tomadas”
A idéia é essa. Assim como numa nação, todos dever ser iguais perante a lei e esta deve ser aplicada igualmente a todos, em termos de aplicação da norma internacional, ela deve ser aplicada igualmente a todos os países.
Claramente, o que tem ocorrido é que para alguns países, poderosos, não se aplica a lei (invasão ao Iraque, pelos EUA, por exemplo), enquanto para outros, a lei é aplicada.
Essa distorção da aplicação da norma internacional só é possível porque, parte das decisões da ONU é política, assim, países com poder econômico e nuclear podem impor suas vontades (por exemplo, os EUA não permitiriam sanções da ONU contra Israel pelos seus ataques aos palestinos).
Os integrantes permanentes do Conselho de Segurança da ONU, tem poder de veto absoluto quanto às resoluções apresentadas.
Qual o significado disso?
Significa que se for o Rei, ou o amigo do Rei, vc pode invadir um outro país, sem sanção nenhuma.
Assim, a norma internacional que Amorim defende, na verdade, não é norma pois não se aplica a todos.
O que Amorim defende é que as normas internacionais comecem a ser aplicadas igualmente a todos. Evidentemente, os que tem poder de veto no Conselho de Segurança não vão querer isso.
Por quanto tempo o restante dos países, que não tem poder de veto, vai aceitar essa situação?
Escrito por ccpbr 