Viajem do presidente ao Irã

O presidente Lula iniciou nesta quinta, 13 de maio de 2010 uma viajem pela Europa e Ásia, visitando a Rússia, Qatar, Irã, Portugal e Espanha.

O ponto mais importante será, sem dúvida, a visita ao Irã, país que está sob a ameaça de novas sanções da ONU, por não abrir seu programa nuclear à completa inspeção daquele organismo internacional.

Lula defende que haja mais diálogo e menos sanções. Defende também que o Irã use a energia nuclear para fins pacíficos.  Os EUA, Israel e outros países acreditam que o Irã planeja produzir bombas nucleares e assim, equilibrar a disputa com Israel, que já possui  em seus arsenais a bomba atômica.

O fato é que o regime atual do Irã é bem capaz de estar perseguindo o armamento nuclear.

É fato também que uma parcela considerável da população iraniana é contra este regime e contra o estado-religião que atualmente vige no Irã .

Assim, faz sentido que mais sanções internacionais, somente irão fortalecer internamente a posição dos radicais que  tomaram o poder no Irã. Essas sanções minam a possibidade de um grupo moderado assumir o poder naquele país (afinal, naturalmente o  país se unirá contra o inimigo externo, leia-se ONU e Estados Unidos).

A lógica de Lula, faz sentido, mas será que ela funciona nesse mundo?

Afinal, os radicais iranianos querem mais é que haja conflitos, assim podem permanecer no poder, lutando contra os infiéis ocidentais.

Por outro lado, a maioria  dos  politicos americanos, a maior parte finaciados pelo lobby da indústria militar, defenderia com alegria uma nova guerra no Oriente Médio.

No outro lado da moeda, o lado iraniano, vê como natural o país possuir armas nucleares, mesmo porque Israel tem armas desse tipo. Se não só por isso, aconteceu que o seu vizinho o Iraque foi invadido pelos EUA sob pretexto de que aquele país possuia armas nucleares e na verdade não havia armamento nuclear algum. E o pior, os EUA país que comandou a invasão, não sofreu sanção nenhuma!!!

Então, com a maioria das partes aparentemente desejando a discórdia (radicais iranianos e complexo político-militar-industrial americano), qual a chance de uma visita conciliadora de Lula?

Um fato que passa despercebido é que, outros países não querem conflito, afinal não ganham com ele.

Lula terá algum sucesso, se conseguir persuadir outros países da região ou de fora a dela a fazerem parte desta iniciativa, de quebrar o círculo vicioso da ‘guerra-lucro-radicais no poder’-'guerra-lucro-radicais no poder’.

Afinal, um novo conflito só é bom para os políticos-militares americanos e os políticos-religiosos iranianos.

E os outros países do Globo, não tem nada a dizer? Será que as populações dos países como Turquia, A. Saudita, Egito, Brasil, India, França, Espanha, Alemanha, eu digo a população, não os políticos, será que não estão cansadas de verem guerras e mais guerras sobre pretextos mentirosos?

Que tal acreditar que a sociedade mundial está  preparada para por limites aos grandes players do planeta.

Será que é nisso que Lula acredita? Se for… ele está errado?

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